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Dona Célia, referência no Hospital Marques de Souza, falece aos 89 anos

Hoje a Associação Hospitalar Marques de Souza se despede de um pedaço da sua história. Com imensa tristeza, comunica o falecimento de Maria Célia de Siqueira, a querida Dona Célia, aos 89 anos, ocorrido em sua instituição.

Segundo o presidente Marco Aurélio Lima Trindade, dona Célia não foi apenas uma funcionária ou voluntária. Foi presença, força, cuidado e amor traduzido em atitudes diárias. Desde os primeiros anos do hospital, ao lado de Dona Dora, que chegou à instituição em 1945, esteve presente quando tudo ainda era difícil, incerto e desafiador, enfrentando crises, superando obstáculos e nunca desistindo.

“Se hoje o hospital existe, acolhe e salva vidas, há muito das mãos, da coragem e do coração de Dona Célia em cada parte dessa história. Seu legado não será esquecido, pois foram muitos anos de trabalho e dedicação que permanecem vivos em cada vida tocada e em cada gesto de cuidado que continua dentro da instituição.”

Conforme Marco, a Associação se despede com dor, mas também com profunda gratidão por tudo o que Dona Célia foi e sempre será.

O corpo está sendo velado na Capela Mortuária Velha de Marques de Souza. A encomendação será realizada hoje à tarde, com sepultamento no Cemitério Católico de Marques de Souza.

Um pouco da sua trajetória

Maria Célia de Siqueira, nascida em 19 de julho de 1936, iniciou sua trajetória no hospital em 14 de abril de 1950, permanecendo até setembro do mesmo ano. Em razão de uma crise financeira enfrentada pela instituição naquele período, houve a demissão de funcionários mais recentes, incluindo o médico Dr. Edmundo Lauffer.

No ano seguinte, em 1951, o Dr. Lauffer retornou ao hospital, e Maria Célia, que também havia sido desligada, foi readmitida em 7 de fevereiro de 1952, permanecendo em atividade até 31 de maio de 2017.

Ao longo de sua extensa carreira, Maria Célia atuou em diversos setores do hospital, como copa, faxina, lavanderia, cozinha, enfermagem e administração. Seus primeiros trabalhos na área da enfermagem consistiram na substituição das chamadas “rondas noturnas”, profissionais responsáveis pelo cuidado dos pacientes durante a noite.
Posteriormente, desempenhou funções como parteira, atuou na sala de cirurgia e também no setor de raio-X.

Na época, a direção do hospital estava sob responsabilidade de Dóra Antonieta Mertel, que exerceu o cargo de 1945 a 1976. Após o falecimento de Dona Dóra, Maria Célia assumiu a direção da instituição, função que exerceu até o ano de 2017.

Condições precárias

As condições de trabalho na época eram bastante desafiadoras. A energia elétrica era fornecida pelo sr. Arnaldo Sbaraini apenas das seis horas da manhã até as vinte e duas horas, sendo o restante do período iluminado por velas.

O gelo utilizado em cirurgias e na conservação de medicamentos era transportado diariamente de ônibus desde Lajeado. As roupas hospitalares eram passadas com ferro a brasas e lavadas no rio. Em períodos de estiagem, a água era bombeada para cisternas e fervida para consumo.

Com o surgimento do Ginásio Vocacional Marques de Souza, atual escola de ensino fundamental, Maria Célia passou a conciliar os estudos com o trabalho em meio turno na farmácia do hospital.

Sem horário fixo e folgas

Naquele período, todas as funcionárias residiam nas dependências do hospital, inicialmente no sótão, localizado acima da cozinha e do refeitório, e posteriormente na parte superior do segundo prédio. Não havia horários fixos de trabalho nem folgas semanais regulares. A cada dois ou três meses, era concedido um período de descanso que se estendia do sábado pela manhã até a segunda-feira.

O hospital foi ampliado gradualmente ao longo dos anos. A construção inicial abrangia até a área onde posteriormente funcionou a sala de curativos. Em seguida, foi edificada uma ala nos fundos destinada ao isolamento de pacientes com doenças contagiosas, como tifo, sarampo e catapora. A terceira ampliação estendeu-se do quarto de Dona Dora até o quarto número trinta e sete. Já a quarta etapa incluiu uma área inicialmente destinada à Secretaria do hospital e posteriormente adaptada para enfermarias, além da construção de um andar superior com apartamentos e quarto para médico.

Durante sua trajetória, Maria Célia conviveu e trabalhou com diversos profissionais da medicina, entre eles o Dr. Adolfo Edmundo Lauffer, Dr. Schincke, Dr. Nilson May, Dr. Hugo Szmidt, Dr. Luis Carlos Lantieri, Dr. Henrique Wiehe, Dr. José Carlos Schmaedecke e Dr. Ilvo Born, entre outros.

Conhecida carinhosamente como Dona Célia, realizava visitas diárias a todos os pacientes, duas vezes ao dia, elaborando relatórios sobre a evolução de cada caso. Sempre que necessário, era chamada durante a noite para auxiliar em situações de emergência.

Campanha de saúde

Também foi responsável por todo o trabalho social do hospital, destacando-se a Campanha “Mãos Dadas com a Saúde”, lançada em 25 de agosto de 2006, em parceria com a Cooperativa de Energia Elétrica Certel. Participou de congressos, cursos e reuniões, além de ser responsável pela admissão de novos funcionários.

Buscando constante qualificação, cursou o Executivo Hospitalar durante dois anos, aos finais de semana, em Porto Alegre, juntamente com o sr. Zeno Neitzke.

Sua dedicação à instituição se estendeu até o ano de 2017, marcando uma trajetória de trabalho, compromisso e relevante contribuição à história do hospital.

Foto Divulgação e texto Giovane Weber/FW Comunicação